A manhã de sábado à noite.

Tocava Ramones às 2h da manhã, numa pista de dança improvisada ao lado de uma piscina abandonada. Paul abraçava Janis, admirando o céu estrelado, a cerveja quente, e a companhia. Pensava estar tipicamente numa festa na qual Eduardo diria “festa estranha com gente esquisita”. Janis admirava Paul e pensava numa conversa que tiveram vinte minutos atrás:

- Paul, me desculpe por te dizer que estava apaixonada por você pela internet. Eu deveria ter dito pessoalmente.

- Janis, o importante é que foi dito. Se é pra dizer qualquer coisa, então digamos na hora. Os meios são o de menos. O que for possível na hora está ótimo, não acha?

Janis apenas sorriu e abraçou Paul, trazendo seus pensamentos de volta àquele ambiente preenchido pelo punk-rock.

Seguiam na pista de dança, rodeado de pessoas diferentes, e, como sempre acontece quando estão juntos, se sentiam únicos. Mas eles sabiam melhor que qualquer um: Janis e Paul são únicos.

Envolvida pela situação, após refletir sobre aquela conversa, Janis olhou fundo nos olhos de Paul e disse:

- Paul, você provavelmente já sabe, mas eu preciso te dizer uma coisa.

Paul sorriu. Sentiu o que estava por vir, pois a química entre eles é tão forte, que por vezes se sentem um na cabeça do outro. Respondeu apenas “o que?”.

- Eu te amo, disse Janis.

Era exatamente o que Paul pensava. E, sem hesitar, tendo apenas que controlar a pressa e impedir que as sílabas saíssem amontodas de sua boca, respondeu:

- Eu te amo demais, Janis. Há muito tempo. Desde o começo de tudo. Só estava esperando você estar pronta pra ouvir.

- Eu pensei no que a gente conversou, e não queria segurar. Sinto isso há algum tempo, e não queria perder outra oportunidade de dizer pessoalmente.

Se beijaram e esqueceram o mundo. Dançaram agitados, felizes, e o tempo parecia ter parado. Mal notaram a manhã de sábado à noite que se erguia no horizonte.

E saíram caminhando, abraçados, sem rumo. Não precisavam de destino, tinham tudo o que queriam em volta dos braços.

Viam as pessoas saírem de suas casas. Comprar jornal, correr na praia, passear com o cão. Compartilhavam apenas o ar fresco da manhã. E as pessoas olhavam para Janis e Paul. Dois sobreviventes da noite anterior invadindo suas manhãs. Dois amigos que pareciam se surpreender com tudo, que riam de tudo. Dois espíritos livres.

Seus pés encontraram o rumo sem ajuda. Sentados na areia da praia, viram a manhã virar tarde. Janis deitou no peito de Paul. Ouvia sua respiração, sentia seu coração. Paul acariciava os finos fios dos cabelos de Janis e as pontas dos seus dedos encontraram abrigo. Olhou nos olhos de Janis, e enxergou no mais lindo dos castanhos um novo mundo.

O tarde ameaçou passar, e as duas mentes sintonizadas sabiam que era chegada a hora de ir. Não tiveram medo. Sabiam que o amanhã estava logo ali, pronto para recebê-los. O tempo lhes pertencia, assim com o mundo.

A Internet assusta.

Opa!

Aproveitando essa onda de disposição pra escrever, relato um fato ocorrido há pouco.

É mais comum do que parece se pesquisar no Google. Todo mundo já fez isso e todo mundo achou legal. A Internet e seus serviços cresceram a ponto de se tornarem essenciais. Se achar no Google é se sentir vivo, existente. E não é de hoje a máxima que diz “se não está no Google, não existe”.

Enfim, eu estou lá, pois uso Twitter e Facebook. Qualquer pessoa que usa qualquer rede social, que deixou qualquer comentário em qualquer blog está no Google. Mas particularmente este que vos escreve não está no Google somente por conta de comentários aleatórios ou perfis web-sociais diversos. Encontro nessa ferramenta de pesquisa algumas partes do meu passado e um pouco do meu presente. Marcas digitais que deixei quando lidava mais com computadores e algumas coisas que escrevi recentemente.

É claro que o susto que motiva esse texto não está na presença dessas informações, mas em perceber como elas viajam sem nem se notar. Silenciosa e sorrateiramente como um inseto que se enfia nos menores buracos e somem como se fosse pra sempre.

Isso aconteceu pela primeira vez em 2006, ao encontrar esse link aqui: http://www.orecado.org/2006/06/perguntas-super-interessantes-sobre-software-livre/. Trata-se de uma reprodução de respostas minhas em uma aula de Ética ministrada pelo caríssimo Professor Francisco Antônio de Andrade Filho, como parte de um trabalho para o curso Hackerteen, no qual sou formado.

Ao virar mais algumas páginas da busca, encontrei um trecho daquele meu texto sobre o Flamengo, de novembro/2009, num trabalho (por sinal, muito bom) da amiga Viviane Oliveira Souza, devidamente citado. Não preciso dizer o quanto fiquei lisonjeado e grato pelo reconhecimento, mas também bem impressionado de encontrar o texto assim, num trabalho acadêmico.

Mas o que realmente me assustou foi encontrar um post meu do Facebook em 11 contas diferentes do Twitter e algumas do Facebook. Na ocasião, postei o seguinte: Existia o Rock in Rio. Aí deixou de ser in Rio. Quando voltou a ser in Rio, deixou de ser Rock. Muitas pessoas se identificaram com isso. Fico feliz de ter posto de uma maneira interessante. Mas ver esse texto correr assim me espantou.

Isso tudo porque sou só mais um com um teclado na mão. Imagina como deve ser para alguém famoso? Imagina encontrar textos, ou citações suas, nos mais profundos porões da Internet. Ver suas palavras, seus feitos, suas obras se multiplicando em níveis assustadoramente fora de qualquer coisa que você jamais imaginou.

A Grande Rede é um invento fantástico, divertido, importante e poderoso. Mas é justamente nesse poder que mora o perigo. É uma quantidade imensa de pessoas, logo, opiniões, culturas e filosofias diferentes clicando por aí.

É preciso, e todos já cansaram de ouvir/ler isso, ter muito cuidado com o que se divulga, o que se faz, etc., etc. É realmente uma imitação da vida em zeros e uns; não é preciso deixar de sair de casa, de viver, de curtir as coisas boas, mas inevitavelmente precisa-se ter cuidado com ‘onde se vai’, ‘o que vai ser feito’, blá, blá e blá.

A informação vai e vem. Num dia fica lá e muita gente vê, noutro dia se esconde e volta sem ninguém se dar conta. Mas sempre volta.

Então vamos continuar fabricando informação, mas com limites. Eu sei que menos de 1% delas realmente farão diferença na vida de alguém, mas é parte da brincadeira. Então muito cuidado com a foto que você põe no Facebook, ou o que você escreve no Twitter. Você pode estar se expondo mais rápido do que imagina.

Em tempo: Não fico nada chateado com as citações. Nem um pouco. Pelo contrário, em havendo a devida referência, como há em todos os casos, fico profundamente feliz. Espero que isso esteja claro.

Abraços

Trejeitos

E aí ela vem cheia dos seus trejeitos. Ela nem sente, mas gosta. Perfeito.

É marca registrada. Faz bem. É o “cada” que todo “um” tem.

Eles olham, ela finge que não vê. Mandam e finge que não lê.

Ela se esquiva, desvia. Aqui, acolá, cativa.

Incisiva, ela nega. Vem a segunda leva, terceira, na quarta releva, na quinta se entrega. No sábado termina: é sempre sua noite de menina.

Quem é ela, quem é ela? Ninguém sabe de verdade.

Uns a tem como paixão, muitos como saudade.

Ela é platônica, misteriosa. Decidida e curiosa.

Ela é forte e carinhosa. Confusa e minuciosa.

É mistura, é aletória. É estória e é História.

Quem é ela? Não se sabe, não faz mal.

Ela é mulher.

E ponto final.

A tal da obrigação de ser feliz

O carnaval tem das suas inúmeras curiosidades, não convém listá-las aqui. Tantas elas e tantas vezes debatidas, citadas, admiradas, rejeitadas. Contudo, me intriga mesmo, nesses dias no mínimo malucos desse festival da carne, é de onde vem essa tal de obrigação de ser feliz, obrigação de se libertar, de soltar o pirata, a fada, o smurf, a borboleta, o pierrot e a colombina que tem dentro de cada homem e mulher. E porque nós aqui no Brasil, e mais ainda aqui no Rio, levamos essa brincadeira tão ironicamente a sério.

Não sei dizer ao certo quantas vezes escutei “ah… é carnaval” por aí, ao demonstrar cansaço, ou insatisfação. Não pode, é proibido, você precisa ser feliz!

O brasileiro é alegre e entusiasta de fábrica. Coisa de índio, talvez. Viver de paletó e gravata, de cara fechada e cheio de regras de conduta religiosas sem nexo é difícil pra esse povo acostumado a andar pelado.

A Igreja então diz que nesse feriado as leis divinas são um pouco menos severas, ou, simplesmente, “pode tudo galera!!”. A partir daí, a matemática não é difícil. No Brasil dá no que dá. Fazemos desfiles, fechamos ruas, avenidas, cidades, vestimos (sic) fantasias, rimos de/com estranhos, beijamos todo mundo, assustamos a nós mesmos e encantamos o mundo – ou vice-versa.

É claro que a figura hoje é diferente em muitos aspectos, mas o Carnaval, diferente de outros feriados, é o único que mantém em nosso país sua essência primitiva.

Não que ninguém seja realmente obrigado, óbvio, mas se forçar a barra, dificilmente vai deixar de sentir essa onda de otimismo e empolgação, nem que seja só por um dia, e do seu próprio jeito.

Ser feliz é o jogo do brasileiro, e nós, além de tudo competitivos e orgulhosos por natureza, temos no Carnaval nossa final de campeonato.

Logo 2.0

O infame empecilho de praticar idéias

Sim, meus caros não-leitores, esse blog anda tão largado que imagino que o número de leitores tenha superado o zero e agora seja negativo.

Um estranho fenômeno toma conta de mim, mais especificamente da minha sobrecarregada massa encefálica. Acho que nome não há, e remédios ignoro, sendo a principal conseqüência esse vácuo que aqui se encontra.

Não se trata da já famosa e por vezes debatida ausência de inspiração, pelo contrário, dela não falta, mas sim de uma incapacidade enervante de botar em prática as idéias que ultimamente me vêm à mente. A única solução para tirar as teias de aranha deste blog foi falar justamente do problema, desabafar, fazer do teclado psicólogo.

Inúmeras vezes comecei textos aqui tentando discorrer sobre assuntos interessantes a respeito dos quais gostaria de desenvolver opinião concreta. Porém, apesar de superar a reconhecidamente mais difícil etapa de um texto, o início, não fui capaz de interligar as linhas nem de encontrar ganchos adequados entre os parágrafos, recorrendo, com um desespero sufocante e agoniante, definitivamente ao backspace, sem misericórdia, porém com imenso remorso.

Refletindo mais profundamente, procuro as causas desse bloqueio, desse empecilho infame, e penso apenas no excesso de informações que me ocupam e preocupam nesse início de ano. Talvez eu esteja superestimando os problemas, é verdade, mas quando os mesmo me impedem de levar adiante meus hobbies, é hora de encontrar uma solução.

Claro que há idéias que não vão adiante por outros motivos: grana, tempo, recursos dos mais variados. Mas essas são as idéias mais rebuscadas, que um dia, quem sabe, viram prática.

Praticar idéias não é fácil pra ninguém, exige trabalho e dedicação, mas também exige tranqüilidade pra pensar adiante. Tirar a poeira daqui vai me ajudar a dar seqüência aos textos que não terminei.

Mas, pra concluir, só sei que já tô de saco cheio de escrever sobre não escrever.

Despeço-me, deixando tudo faxinado.

Abraços.

O Não Há de Quê em 2010

Ta aí mais estatística pra vcs… agora é só de 2010!!
Posto isso aqui porque o WordPress me mandou por email e achei que seria legal compartilhar!
Ah: se vc pesquisar “Hidrociclone: o que é?” vc vai encontrar o Não Há de Quê na PRIMEIRA PÁGINA DO GOOGLE. uhul!! uhauhahuauhauh

Abraços.

Os duendes das estatísticas do WordPress.com analisaram o desempenho deste blog em 2010 e apresentam-lhe aqui um resumo de alto nível da saúde do seu blog:

Healthy blog!

O Blog-Health-o-Meter™ indica: Este blog está em brasa!.

Números apetitosos

Featured image

Um duende das estatísticas pintou esta imagem abstracta, com base nos seus dados.

Um Boeing 747-400 transporta 416 passageiros. Este blog foi visitado cerca de 1,800 vezes em 2010. Ou seja, cerca de 4 747s cheios.

Em 2010, escreveu 32 novo artigo, aumentando o arquivo total do seu blog para 39 artigos. Fez upload de 13 imagens, ocupando um total de 920kb. Isso equivale a cerca de uma imagem por mês.

The busiest day of the year was 29 de setembro with 57 views. The most popular post that day was À MetalMat.

De onde vieram?

Os sites que mais tráfego lhe enviaram em 2010 foram twitter.com, facebook.com, orkut.com.br, mail.live.com e mail.yahoo.com

Alguns visitantes vieram dos motores de busca, sobretudo por não há de quê ou não há de que, hidrociclone, www,naohadeque.wordpress.com, hidrociclone: o que é? e leandro morani

Atracções em 2010

Estes são os artigos e páginas mais visitados em 2010.

1

À MetalMat setembro, 2010
5 comentários

2

Seção Tecnologia – Leandro na aula prática; Hidrociclone julho, 2010

3

O Autor novembro, 2009

4

Insubordinação e indisciplina setembro, 2010
2 comentários

5

Quase-Lendas Urbanas I – O Profeta do 838B. fevereiro, 2010
2 comentários

Feliz 2011

O telefone toca.
O telefone toca de novo.

O cara acorda, e atende.

- Alô.
- Fala, cara!
- Fala, rapaz!
- E 2010?
- Ah, ano de altos e baixos, né? Mas passou voando, como sempre.
- Pô cara, te digo o mesmo. Muita coisa aconteceu, hein?
- Pois é, rapaz, vou te contar: por um lado, meu ano foi uma merda…
- e pelo outro?!
- …pior ainda!
- Olha, você não tá exagerando, cara?!
- Pode ser que sim, mas você sabe, a gente vive na merda, por menor que ela seja, ela sempre tá lá. A diferença tá no que a gente faz com ela. Tem gente que come e se afunda, tem gente que nada e se livra da maior parte.
- (Risos) Não tem ninguém melhor pra falar da merda que você.
- Rapaz, 2011 tá aí pra isso. A gente sempre precisa ter a sensação de que pode começar tudo de novo, por isso celebramos cada ano como um novo ciclo, quando na pratica continua tudo na mesma sequência: mudando o tempo todo, não necessariamente no dia 1º.
- Cara, incrível o que uma tarde de sono não faz com você.
- Mais incrível o que um ano novo não faz com a merda que muita gente vive.
- Fato! Mas me diz: o que levar de 2010 pra 2011, além da merda?
- Levo os aprendizados, rapaz, sempre. Cada experiência nova, cada pessoa que veio, que ficou, e que foi, cada oportunidade agarrada, e cada perdida.
- Meu caro cara, belas palavras.
- Obrigado, rapaz. Agora deixa eu ir lá, que 2011 tá batendo à porta.
- Engraçado, aqui também.
- A gente se esbarra por lá, naquela merda, de preferência tentando sair.
- É o melhor que podemos fazer, né?
- A gente pode muito mais, é só se dar conta. Um abraço, rapaz.
- Um abraço, cara!

Feliz 2011!
-

A Mariposa

Turbulência.

O vento gelado e veloz eram a causa. O anoitecer suave contrastava com o caos ao seu redor. Entretanto, voava majestosamente.

E de folha em folha ela ia. Cada voo uma batalha, cada pouso uma conquista. Seu instinto buscava apenas um abrigo, algo que a lembrasse do conforto e da segurança do casulo, seu antigo lar.

Suas patas então encontraram uma firmeza incomum nos galhos e folhas de sempre. O solo rígido e vertical emanava um calor fraco. Surge então uma fenda de luz em sua frente, promessa de aconchego. Em poucos segundos a fenda se foi, tempo suficiente para a sua passagem em busca de abrigo para a confusão do seu anoitecer.

Pouca ela sabia, porém, que a promessa de conforto não seria cumprida. Pessoas e mais pessoas, coisas que ela aprendera a evitar, tornavam o ambiente caótico e hostil. Uma caixa emanava luz de diversas cores em completo desarranjo. Pessoas pareciam estranhamente atraídas.

Sua presença na certa provocara desequilíbrio no ambiente. O ar agora era suave, mas seu voo seguia em contraste com o ar ao seu redor.

Desejou a agitação externa, ou mesmo a calmaria do casulo. Tentou voar ao ponto que achava ser o mesmo do começo, porém, encontrava apenas o mesmo solo firme e vertical de momentos atrás.

A sua sorte foi então de encontro com uma corrente gelada, em sentido contrário. Seguiu, sem deixar o ar a levar pra trás. Suas asas fizeram o esforço de uma vida. Seu instinto era tudo o que tinha, tudo o que conhecia, e com ele lutou.

E encontrou novamente uma folha recoberta pelas gotas de orvalho. Não precisava ser racional para saber que reencontrara a liberdade.

O ar era ainda frio, mas dessa vez era mais calmo. Mesmo assim, a Mariposa voou majestosamente como antes.

Inspirações rodoviárias

Ônibus, engarrafamento e nada pra ler e escutar formam um mistura fascinante de idéias que povoam nossas mentes. Algumas delas exigem liberdade. Então aí vai.


Dentro – 22/10/2010

E tu olhas,
e choras;
Coras
quando olhas
que te olham
e não te veem.

E te postam,
transportam;
E tu choras,
Quanto sentes
que te sentem
e não te teem.

Teu olho é aberto
Teu tato é certo
E os outros, perigo

Por dentro és abrigo
Em nada és amigo
Não te tens por perto.


Encanto – 22/10/2010

Quando quem faz o quando
Faz o onde
Ah, se esconde
Quem faz o mando.

No entanto o tanto que faz o pranto
Surge, inquieto
Urge
Na cós de um encanto.

Em um caso ao acaso
Num quê de descaso
O encanto se vai.

Mas o voo é raso
Faço pouco caso
E o encanto se trai.

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