Atendendo a pedidos, vamos ver o que sai da minha cabeça. Apesar de gostar, comentar futebol não é meu forte. Prefiro ouvir opiniões a divulgar a minha. Mesmo assim, creio que será uma experiência interessante.
Recomendo, como leitura adicional, a opinião do mestre Rica Perrone a respeito do assunto. Só clicar aqui.
–
O recente episódio envolvendo a insubordinação e indisciplina do jovem atleta do Santos Futebol Clube e sua atual jóia rara Neymar para com seu treinador Dorival Jr. levanta algumas questões: até que ponto um talento ímpar como Neymar pode chegar ao se sentir poderoso o bastante para ignorar seus superiores? Até que ponto deve um chefe chegar para orientar seus comandados? Como agir?
No que concerne ao lamentável ocorrido, a meu ver, há situações de natureza muito mais profunda e as atitudes tomadas vão além do que foi divulgado. Antes de discorrer sobre, vamos a um apanhado geral de tudo o que ocorreu nos últimos dias.
Irritado com a proibição do treinador de bater um pênalti, Neymar ofendeu seus colegas de equipe, superiores e adversário das mais diversas maneiras, seja verbalmente, seja moralmente, ao passar a jogar sem objetividade e tentando humilhar os rivais.
A atitude de Neymar não foi novidade. Algumas rodadas antes, irritado com o excesso de faltas, o menino da vila ofendeu os adversário, chegando à provocar agressões físicas entre seus colegas de clube e os adversários.
Após o último episódio de desacato, Neymar foi suspenso pelo seu treinador. Até aí, tudo bem. Porém, ao anunciar que o atleta não entraria em campo contra o Corinthians, no clássico da última quarta-feira, Dorival Jr. parece ter provocado a diretoria do clube, que, surpreendentemente, o demitiu.
A questão com certeza não é simples. Por um lado, Neymar, jovem, que da noite para o dia saiu da pobreza ao estrelato, sem estrutura familiar para comportar tal mudança, tem em seus erros justificativa. Quantos de nós, nas mesmas condições, atravessaríamos tal turbilhão sem perder a cabeça? Nem que seja só por um momento?
Não digo aqui que tais atitudes estejam imunes à críticas ou punições. Pelo contrário, apesar de haver desculpa, não deve faltar punição e orientação. Afinal, que melhor forma há de aprender senão com nossos próprios erros e como haveríamos de aprender se esses mesmos erros não repercutissem de encontro a nós mesmos?
Por outro lado, se os fatos não são tão claros, os motivos das atitudes das duas partes, técnico e direção, tampouco. Segundo Dorival Jr., a punição era por tempo indeterminado, porém, segundo a diretoria do Santos, o acordo era de punir somente por um jogo. Para eles, Dorival agiu isoladamente, em desacordo com o clube, ao manter o jogador afastado. Ainda, depois da primeira punição, o treinador mudou a sua postura, causando estranheza por parte dos diretores, que afirmaram então não poderem permitir que se tornassem os mesmos reféns de um profissional.
Contudo, poderia Dorival, ao acatar a decisão da diretoria do Santos de não manter a punição, se tornar refém de um profissional como Neymar? O que há por trás de tudo isso?
É possível que o técnico tenha pensado exatamente isso. Se o motivo da sua demissão é, principalmente, a discrepância nas decisões em relação à Neymar, então Dorival Jr. sai com crédito da questão.
Inclusive, é deveras provável que haja pressões por parte de patrocinadores na volta breve do jogador, que, por ser a maior estrela do clube, angaria assim maior visibilidade aos jogos, à instituição e, é claro, às marcas.
Talvez Dorival Jr. tenha exagerado. Talvez a punição no bolso tivesse sido a melhor opção. A diretoria do Santos agiu em defesa de seu maior patrimônio. Se por motivos idôneos ou não, não temos como saber, mas sem dúvida faltou tato de ambas as partes no desenovelar da situação.
No resumo da ópera, fica a sensação de que, por ser um jogador diferenciado, Neymar conta com tratamento diferenciado. Será que estamos vendo, no futebol, um reflexo da nossa sociedade, que trata diferenciadamente aqueles com mais recursos?
Neymar, um craque em potencial, está em um momento em que, se for bem orientado e inteligente, se bem alertado e punido nos erros, pode tirar um lição enorme para a vida, que só o engrandeceria onde ele demonstra mais carecer: na sua moral e nos seus valores.
A punição principal acabou vindo de fora clube. Mano Menezes, técnico da Seleção, acertou em não convocá-lo. Talvez esteja aí o reflexo primordial de seu erro, de que ele muito precisa claro e firme.
De maneira a termos o craque e o ídolo que muito desejamos e sabemos fabricar (Zico, Senna, Pelé, Oscar Schmidt), os homens à volta de Neymar, Ganso, e outros tantos jovens promissores, devem estar cientes da sua responsabilidade nas suas formações como homens. Mano Menezes parece estar, Dorival Jr. parecia tentar. E agora? De quem será a vez?
Gostar disso:
Seja o primeiro a gostar disso post.
É a Viviane tinha razão quando veio me falar que você seria a melhor pessoa para expressar com suas palavras o que ela sentiu ao ler a notícia sobre o Neymar e o técnico Dorival Jr.
E para primeira experiência de comentário esportivo, você se saiu muito bem!
Eu sabia!!!!
Que vc escreveria algo maravilhoso. Não tenho palavras para o seu texto.
AMEI O TEXTO.
Tem certeza que é engenharia?
Abraços.
Viviane.
Pingback: Os Não Há de Quê em 2010 « Não Há de Quê…