O carnaval tem das suas inúmeras curiosidades, não convém listá-las aqui. Tantas elas e tantas vezes debatidas, citadas, admiradas, rejeitadas. Contudo, me intriga mesmo, nesses dias no mínimo malucos desse festival da carne, é de onde vem essa tal de obrigação de ser feliz, obrigação de se libertar, de soltar o pirata, a fada, o smurf, a borboleta, o pierrot e a colombina que tem dentro de cada homem e mulher. E porque nós aqui no Brasil, e mais ainda aqui no Rio, levamos essa brincadeira tão ironicamente a sério.
Não sei dizer ao certo quantas vezes escutei “ah… é carnaval” por aí, ao demonstrar cansaço, ou insatisfação. Não pode, é proibido, você precisa ser feliz!
O brasileiro é alegre e entusiasta de fábrica. Coisa de índio, talvez. Viver de paletó e gravata, de cara fechada e cheio de regras de conduta religiosas sem nexo é difícil pra esse povo acostumado a andar pelado.
A Igreja então diz que nesse feriado as leis divinas são um pouco menos severas, ou, simplesmente, “pode tudo galera!!”. A partir daí, a matemática não é difícil. No Brasil dá no que dá. Fazemos desfiles, fechamos ruas, avenidas, cidades, vestimos (sic) fantasias, rimos de/com estranhos, beijamos todo mundo, assustamos a nós mesmos e encantamos o mundo – ou vice-versa.
É claro que a figura hoje é diferente em muitos aspectos, mas o Carnaval, diferente de outros feriados, é o único que mantém em nosso país sua essência primitiva.
Não que ninguém seja realmente obrigado, óbvio, mas se forçar a barra, dificilmente vai deixar de sentir essa onda de otimismo e empolgação, nem que seja só por um dia, e do seu próprio jeito.
Ser feliz é o jogo do brasileiro, e nós, além de tudo competitivos e orgulhosos por natureza, temos no Carnaval nossa final de campeonato.
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Concordo.
Nesse período a Lei é se libertar para ser feliz.
Se libertar como?
Vale a pena?
Bem, é carnaval…
Um beijo, irmão.